A borboleta e a formiga



Uma borboleta recém saída de seu casulo ainda não sabia voar. Havia se transformado mas ao abrir seus múltiplos olhos só enxergava a formiga que a observava curiosamente.
De imediato ficaram amigas. A borboleta andava com a formiga para cima e para baixo. Elas habitavam a casa de um nobre homem que tinha hábitos “estranhos” para elas.
Certa vez, passeava pelos cômodos da casa numa linda manhã de sol. Saíram para os jardins imensos de flores e foi desta vez que a borboleta viu outras iguais a ela, voando e beijando muitas flores. A formiga também ficou maravilhada e decidiu levá-la ao encontro das outras.
Neste momento o homem nobre estava no jardim a caçar formigas em seu jardim, pois estavam comendo suas roseiras. Neste momento, viu a borboleta junto com a formiga e se pôs a caça-las.
A formiga andava rápido mas a borboleta era desajeitada demais andando. Foi aí que no desespero, a borboleta abriu, bateu suas asas e voou. Para ajudar a amiga pegou com suas patinhas e levou a formiga para dentro da casa.
Entrou pelas janelas brilhantes, sobrevoou a cozinha e, a borboleta, se sentia tão livre, tão solta, tão animada com sua nova descoberta. Ela não acreditava na leveza que era voar e ser livre.
Deixou a formiga no chão, agradeceu, e prometeu visita-la. Abriu suas asas e se pôs a voar lindamente junto as outras borboletas que estavam no jardim.
Baseado no sonho do dia 18/06/18.

Sim, era amor. Daqueles que pouco vemos por aí.


Era noite de sábado.
Daqueles preguiçosos onde a vontade de ficar em casa a sós é maior do que uma roupa ou uma balada.
Estava ela junto ao seu par. Deitados sobre a cama, assistindo um filme qualquer na TV.
Relaxados e em silencio. Ouvia-se apenas o barulho do som que o televisor emitia.
Ele olha para sua namorada e a adora. Estava tão bonita em seu pijama e distraida com as propagandas que era o zumbi mais lindo que tinha visto.
Calmamente virou para seu lado, ficando de frente a ela.
Ela percebe olhando-o nos olhos sorrindo. Suas mãos tocam os braços de seu amado.
Ele a devora com os olhos, aproxima-se mais e dá-lhe suas bitocas sobre seu ombro, pescoço e face.
Ela corresponde se abrindo a ele. Seus lábios agora se tocam e um beijo carinhoso se inicia.
Ele se ajeita sobre o corpo da amada pois queria mais. Sentir o corpo e o calor dela naquele instante.
Ela se ludibriava com os beijos e o cheiro que seu homem emanava.
Ele toca sua amada com prazer, tirando-lhe a rouba, brincando com os bicos de seus seios, acariciando-os e passando suas mãos sobre o corpo de sua amada.
Ela se entrega, vai abrindo seu corpo para encontrá-lo. Afinal, fazer amor é uma brincadeira de esconde-esconde.
E carinhosamente eles se enlaçam. O amor é renovado com o prazer que os dois se proporcionam.
Ouve-se gemidos, beijos, carinhos… palavras são caladas com olhares.
Olhares que fazem chegar ao climax, sentirem o gosto de estarem unidos fisica e emocionalmente.
Ele se deita relaxado e feliz.
Ela se deita sobre seu peito para que as endorfinas façam o efeito e que o cheiro dele entre em seu cérebro como chocolates suiços.
Ele pega na mão de sua amada, que estava a brincar com os pelos de seu peitoral, entrelaça seus dedos entre os dele, leva-os a boca para um beijo.
Seus olhos se unem novamente, a sensação de plenitude e entrega é ainda maior.
Dela lágrimas brotam de seus olhos, um sorriso de alegria e principalmente de amor mutuo.
Ele afaga sua amada, sentindo sua emoção. Seus olhos caem sobre ela com um brilho diferente.
Ambos corações estão quentes e conectados por um só sentimento.
Sim, era amor. Daqueles que pouco vemos por aí.
Ele e ela faziam um NÓS perfeito-sendo-imperfeito.
Isso bastava.

FIM.

Por Camila Moreira.
(02/11/14)

Prazer solitário mas feliz


Eram 21h da noite.
Ela chegou com um cansaço descomunal depois de muito transito e um longo dia de trabalho.
Abriu as portas de seu apartamento e estava ali, sozinha, sentindo seu próprio cheiro no ambiente.
Tirou as roupas do corpo ficando nua e desfilando pela casa enquanto preparava seu banho. Estava cansada e precisava relaxar.
Ligou uma musica, abriu uma garrafa de vinho e tomou uma taça na mão dirigindo-se ao banheiro.
Iniciou seu ritual habitual. Seu banho era regado de cheiros, texturas e cores. Aquilo fazia bem a ela. Fazia tudo aquilo servindo-se de goles de seu vinho. Ela se esquecia do dia e pensava apenas nela.
Saiu do banheiro enrolada em seu roupão. Deitou-se sobre a cama segurando a taça na mão olhando para o teto do quarto. Fechou os olhos por um minuto e desejou que suas preocupações fossem embora.
Ela queria o futuro, o mundo, o desejo, a paixão e o sexo. Tudo que podia lhe pertencer em vida.
Tocou sua pele naquele instante. Sentiu sua própria sedosidade. Cheirou-se e desejou que alguém estivesse ali para toca-la, cheirá-la e senti-la.
Passou a mão sobre os braços, ombros, tocou seus seios delicadamente descendo sob seu abdome, sentindo a textura de sua pele. Imaginou-se sendo tocada por alguém que a desejasse, compreendesse e quisesse estar ali compartilhando aquele momento.
Tocou seu ventre e desceu até seu sexo. Acariciou-se mas sem se importar com nada. Há quanto tempo estava sem se permitir-se a isso.
Seu corpo estava cansado mas seu desejo não. Tocou-se para relaxar, liberar serotonina e se extasiar ouvindo seu próprio gemido.
Fazia tanto tempo que não sentia o prazer de um gozo que sua pele se arrepiou como uma corrente elétrica percorrendo sob sua coluna. Sentiu-se plena, satisfeita. Um misto de alegria, relaxamento e solidão. Um prazer solitário mas feliz.
Relaxou. Sentiu seu coração batendo forte e desacelerando. Um riso e uma lágrima rolaram pelo seu rosto.
Gostoso seria alguém agora para dormir de conchinha ou olhando para sua fisionomia “gozada” segurando sua mão.
Virou-se de lado, fechou os olhos e dormiu serenamente.

Por Camilla M.
18/10/14

Salve as filhas da Deusa do Amor!


Mulheres de Vênus
Filhas de Oxum
Herdeiras de Afrodite

Venusianas são estas mulheres
Caprichosas, sedutoras, exuberantes

Filhas de Oxum
Dona das águas, choronas, úmidas
São férteis em suas vidas e criatividade

Afrodisíacas e sensuais
Misturam sexo com amor
Não vivem sem um amor
A quem lhe possar doar-lhe seus corpos

Amam-se egoisticamente
Adoram se adornarem
Ouro, jóias, flores e cores

Amantes da beleza e do bom gosto
Não lhe faltam um toque de beleza em tudo que tocam

Olhos e sorrisos intensos, marejados
Lábios sorridentes, de sorriso maroto

Iguais víboras que seduzem
Sereias que cantam e encantam
Com seu andar, seu cheiro e seu toque refinado

Amam o amor, amar e serem amadas
Salve as filhas da Deusa do amor!

Camilla Moreira

Deixe-me louca e extasiada de prazer


Quero seu beijo louco me agarrando pelos cabelos e percorrendo o meu corpo.
Nossos corpos se encaixando e sentindo vibrar esta sede que temos de nós.
Sentir seu membro sinalizando que este desejo é intenso.
Tiro sua roupa e você a minha. Vamos ficando nus aos poucos, curtindo cada pedaço deles.
Minha boca ser perde na sua, suas mãos em meu corpo acariciando, tocando e apertando.
Levante meu corpo contra o seu, abra minhas pernas e se encaixe.
Quero sentir sua força e seu desejo intenso. Penetre-me com força, com instinto e desejo.
Arranque suspiros e gemidos enlouquecidos de mim. Faça-me a mulher mais satisfeita e tire-me mil gozos.
Com força, tesão e desejo… olhe nos meus olhos enquanto gemo, grito, falo besteiras.

Deixe-me louca e extasiada de prazer.
Camilla Murer
15-06-14

Você não combina mais com meu batom e nem com o meu vestido hoje…


Ela tinha uma paixão de adolescência. Seu amor era imenso mas nunca tivera a coragem de falar o que sentia.

Era amiga dele, tinham amizade mas nunca esboçou um interesse real sobre ela, achava até que era feia para ele.
Decidiu cuidar da vida, já que era “desastrada” com este negócio de amor e paixão.
Estudou, viajou e conheceu diversas culturas. Seu sonho era escrever livros.
Escreveu seu primeiro livro sobre a vida de dois amigos que se vestiam de mulher e iam a casa de pessoas doentes que precisavam de alegria, de um conforto no coração e depois iam embora com a certeza de dever cumprido e muitas histórias engraçadas a contar. 
Ganhou prêmios pelo seu livro, viajou para vários lugares para divulgar o seu trabalho e lançou outros mais livros e livros para o mundo.
Um dia retornou a sua cidade natal. Foi convidada para divulgar seu novo livro sobre amor e relacionamentos numa livraria local.
Neste evento, em poucas palavras, falou sobre o amor e todas as pessoas a aplaudiram de pé.
Foi no meio da multidão que ela reconheceu aquele rosto, todas a lembranças do passado vieram a tona, seu coração acelerou e bateu na boca. 
Era ele! Estava ali, presente, batendo palmas e olhando com um sorriso no rosto. Ela sorriu meio entorpecida como uma avalanche de sentimentos.
E lá estava ele, vindo em sua direção, obviamente para cumprimentá-la e dizer como ela havia mudado e ficado bonita. 
Neste mesmo instante, uma moça o abraçou e seguiram até ela. Seu coração parou naquele instante tão desconcertante. Ele apresentou a namorada e conversaram felicitando sucesso e aquilo foi suficiente para deixa-la com os sentimentos estranhos e confusos.
Saiu daquele local abalada, com um misto de alegria e decepção. Bateu-lhe uma solidão pois desde da época da faculdade nunca tivera “tempo” para namorar ou pensar sobre isso. Foram poucos romances, rápidos e não tão profundos. Era a melhor conselheira amorosa de suas amigas e imaginava que acertaria na escolha de seu parceiro.
Imediatamente suas fichas caíram, estava sozinha a anos! Nunca tinha amado alguém de verdade, somente ele em seu passado.
Passou alguns dias em sua cidade, relembrando sua infância e sua juventude. Já era uma mulher e precisava pensar na possibilidade de conviver com um companheiro e compartilhar sua vida.
Numa tarde estava tomando café quando sua antiga paixão chega. Senta-se ao lado dela, ficam numa conversa gostosa e animada. Ela percebeu que ele a encarava de forma diferente.
Antes que escurecesse decidiu ir embora quando descendo as escadarias do café, ele sai e a chama de volta. Dá um longo suspiro e diz que desde a adolescência jamais a esquecera, sempre a amou em segredo e jamais teve coragem de dizer. Disse que quando ela foi embora sofreu muito, sentia sua falta, das conversas e do contato. Os anos se passaram e jamais pode esquecer o sentimento que tinha mas decidiu passar por cima e viver.
Neste instante ele se aproximou dela, olhou-a nos olhos e lhe deu um beijo longo como se nunca tivesse beijado alguém. 
Obviamente ela correspondeu ao sentimento, ao desejo e ao beijo, mas algo havia mudado. E novamente as “fichas” foram caindo.
O beijo acabou com a sensação de querer de novo. Fitou-o por uns instantes com um sorriso disfarçado nos lábios. Coçou a cabeça, olhou para os lados e para o chão e disse:
– Agradeço por declarar isso. Amei-o na mesma intensidade e o mesmo ocorreu comigo, a timidez. 
– Então, acredita que podemos dar andamento a este sentimento? – perguntou ele, feliz em saber da reciprocidade.
– Hum… quer saber a real? Acho que você não combina mais com meu batom e nem com o meu vestido hoje. 
Virou as costas, sorriu e andou pelas ruas, sentindo-se leve, pois a sua vida e sua liberdade eram maiores que aquele amor. Ela tinha aprendido a se amar durante todos estes anos e aquele amor já era algo velho que sua consciência a unia ao passado inseguro e tímido. Ela era uma nova pessoa e o velho já não a atraía mais.
Por Camilla Murer
(07/06/14)