Relicário olfativo – lembranças dos cheiros


Hoje decidi caminhar pela manhã, saí disposta a sentir meus pés tocando o chão e observar esta manhã fria e nebulosa de outono.

Então lembrei-me das muitas caminhadas que fazia com meu pai na infancia aos domingos de manhã. Nunca pensei o quanto era próxima as sensações, cores e cheiros.

Fiz um caminho que sempre percorri durante toda minha infancia e adolescencia, passando pelas poucas casas que ainda não viraram comércio, observei as mesmas flores plantadas no jardim, os cheiros que vinham das casas e das pequenas mudanças nas cores e nos portões.

Gostoso foi passar por uma casa que tinha cheiro de frango assado, tipico de domingo. Depois uma outra com cheiro de roupa lavada secando no varal.

Passei por outra casa que tinha cheiro de xixi de gato, lembrei da casa da minha avó que, quando chegava, exalava levemente um cheiro de xixi de seus gatos. Ainda em outra casa, pude passar por outra casa lembrando daqueles famosos cheiros de perfume de avós, cheiro de leite de rosas ou coisa parecida.

Tinha aquelas casas que as rosas ainda permanecem no jardim, ora muito floridas e ora sem nada. Os camarões floridos, os vasos de samambaia e chifres de veado na garagem. Algumas ainda tinham aqueles carrões antigos clássicos na garagem que só saem a passeio de tão conservados.

Vieram tantas lembranças e sorrisos secretos nos cantos dos labios por debaixo da máscaras. Amei ser e ter todas estas reliquias dentro de mim.

Reflexões no silencio da madrugada


Bom dia.

Aproveitando momentos do silêncio da madrugada para trazer reflexões pessoais e releitura de livros que mexeram no meu “queijo” no passado.

Livro: A grande mudança. Como participar da criação de um novo mundo a partir de 2012. Vários autores.

Um livro de canalizações espirituais que li em 2012-2013 e que trouxeram-me respostas. Neste período foi muito difícil para mim, estava realmente na transição de uma velha energia para uma nova. Ainda relendo este, a entidade Kryon, canalizada por Lee Carroll, fala sobre as mudanças energéticas a partir do ano de 2007 até 2012 para criar um novo padrão de energia nos humanos e no planeta. Muitas informações valiosas que fazem muito sentido a minha vida.

Confesso que relendo os anos de 2007 e 2008 trouxeram-me muitas lembranças. Ano 2007, estava feliz com meu novo emprego, novo namorado, 2o ano da faculdade. Neste ano tive mudança de chefe no estágio e senti-me totalmente paralisada. Não tinha a quem recorrer, era uma pessoa extrovertida mas tinha horror de me abrir! Tinha medo da reprovação de meus sentimentos e de meu jeito de ser. Eu tinha muito medo de me expressar verbalmente e, nesta época, meu refúgio eram as leituras, meditações e reflexões espirituais até que criei meu primeiro blog o “acayra do deserto”. Neste blog ao qual escrevo, postava sobre meus sentimentos e mensagens que encontrava da e sobre espiritualidade.

Em 2008, meu blog crescia em público, tinha largado de meu namorado por medos e inseguranças bobas (meu atual amor, voltamos mais felizes que nunca) comecei me abrir mais com as pessoas mas de um modo errado e perigoso. Estava sendo ingênua enxergando que o mundo era cor de rosa e queria que as pessoas tivessem está visão. Foi neste ano que conheci uma pessoa na empresa que ajudou a me enxergar de um forma diferente mas que doeu muitas de suas palavras. Eu me sentia querida em meu trabalho mas as coisas andaram totalmente sem rumo. Estava cheia de falsas projeções, todas elas vinham de meu ser. Projetei um amor platônico pelo meu ex chefe na época. E hoje entendo o por quê, exergava suas qualidades que na verdade habitavam-me e nem sabia que naquela época existia! Fico pensando o quão tola fui e nas atitudes bem infantis que tomei na época. Passei alguns anos sonhando com meu ex chefe e aquele lugar até entender que tinha que integrar aquele conteúdo inconsciente a minha consciência. Hoje vejo que tenho muitas das qualidades que projetei e que, na minha imaginação na época, confundi com “paixão”. Tenho vergonha só de imaginar se alguém além de uma pessoa amiga do chefe tinha percebido que estava “xonada” em sua pessoa.

Enfim, passei longos anos até este momento, colocando o ano de 2007–2008 como os melhores da minha vida. E sim, em parte foram maravilhosos mas apeguei-me a uma falsa imagem de quem era a Camila naquela época. Não chega nem na metade da pessoa que me tornei.

Nesta quarentena, uma de minhas reflexões pessoais foi exatamente essa: deixar minha mente mais presente, no hoje, aqui e agora. Não vagar minha mente nem no passado e nem ansiar pelo futuro. Passei anos para ter está compreensão hoje. Deixei de viver o presente como um presente querendo muito reviver o passado e ansiando o futuro que só dependia do que eu estava vivendo e sentindo.

Não faz sentido está corrida maluca de minha mente. Quando paro para analisar meus pais de agora para como estavam há 5 anos muita coisa mudou! Imagine a mim? Tenho a nítida sensação que perdi oportunidades de viver momentos felizes, ter prestado atenção em detalhes, mais olho no olho com eles e outras pessoas que não dei-me a chance.

Preciso curar esta imagem Santa e maculada que criei destes anos e fazer que os outros vindouros fossem apagados. Tenho que assumir que vivi conforme meus instintos e emoções. Não senti-me presente de espírito só deixei-me levar pelas circunstâncias e momentos. Uma inércia de minha consciência, minha pequenez emocional.

Só depois que decidi trabalhar-me através de terapias que tomei consciência de meu poder pessoal.  Graças ao Reiki, terapia clínica e principalmente as plantas, ao reino vegetal, a aromaterapia, após ingressar neste mundo maravilhoso, tomei Consciência de quem eu sou, soltando emoções, padrões que estavam em minha energia. Há muito que se conhecer e trabalhar. Não desistirei de tornar uma versão melhor de mim daqui para frente.

Medo de perder-se ou medo de amar


Mariana era uma artista fascinante. Pintava quadros coloridos e exuberantes, painéis com grupo de grafiteiros e suas exposições eram um sucesso.
Sua exposição era um sucesso, servido de muita champanhe e salva de palmas e felicitações. Clientes, amigos e curiosos estavam impressionados com seus desenhos e pinturas.
Mariana estava distraída e feliz quando um homem se aproxima para parabenizá-la. Quando seus olhos se cruzam ela sente um encanto vindo de seu olhos. Suas mãos se tocam e seus sorrisos se abrem.
Cleber parabeniza-a pelo sucesso da exposição e ficam conversando e trocando algumas palavras.
Seus olhos se buscavam naquela noite, sorrisos tímidos a distancia porém Cleber novamente se aproxima de Mariana e lhe entrega um cartão. Ela sorri sem graça e o guarda.

Os dias se passaram, Mariana procurando sua bolsa para ir a um novo evento encontra dentro dela aquele cartão. Olha o nome e num sorrisinho se lembra do rosto do dono. Decidiu ligar para Cleber para flertar com o rapaz.
Cleber lembra-se imediatamente de Mariana e eles conversam animadamente e marcam um café.
Este café foi motivo para longas conversas e muitas risadas. Eles estava encantado com ela e, ela, com ele.
Os encontros foram aumentando, regados de aventura, cultura, silêncios, noites abraçados e filmes românticos. O relacionamento deles estava evoluindo muito bem. Eles se combinavam em muitas coisas.
Cleber sentia a necessidade de dar a Mariana algo a mais do que ela não esperava. Queria na verdade surpreende-la com seus sentimentos e atitudes. Tomou uma atitude que poderia por em xeque seu relacionamento com ela, esperando claro o melhor dela.
Fez uma surpresa, comprou um vinho e levou duas taças de cristais. Marcou de buscar Mariana e vendou-lhe os olhos.
Levou até o local da surpresa, acendeu as luzes e fechou a porta. Tirou a venda dela e pediu que olhasse ao redor.
Mariana abriu os olhos e vasculhou o ambiente, era um apartamento, totalmente mobilhado e decorado. Havia uma garrafa de vinho com taças.
Cleber todo feliz perguntou o que ela tinha achado, ela simplesmente sorriu dizendo que era lindo. Pegou as chaves da porta e entregou em suas mãos unindo-os, olhando nos olhos disse que gostaria que aquele local fosse o mundo que eles queriam construir para si. Estava lhe dando as chaves para que ficasse com ele.
Mariana fitou-o perplexa. Ela estava num misto de emoções e pensamentos. Ela sorria e ao mesmo tempo se sentia assustada. Fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e procurou se sentar.
Cleber a observa sem entender sua atitude, esperava que no mínimo ela ficasse muito feliz. Ela fitou seu namorado e disse apenas que queria um tempo para pensar nisso pois achava que a relação estava evoluindo rápido demais.
Mariana pede desculpas e sai do apartamento. Ela estava confusa, sentindo-se dividida. Amava sua vida livre de artista, amava Cleber e sua companhia mas será que ela estava preparada para algo a mais numa relação. Seria aquele o momento certo? Ela sentia medo naquele instante precisava refletir.
Entrou num táxi e procurou a vista mais bonita da cidade para pensar. Lá do alto via a cidade brilhando, o vento batendo-lhe o rosto e os cabelos e estar ali só fazia se sentir livre.
Pensava no que um relacionamento sobre o mesmo teto seria, perderia sua individualidade, seu espaço e principalmente a sua liberdade? Teria ela espaço para si mesma ao invés de cuidar de uma casa, de filhos e principalmente marido?
Será que sua alma estava preparada para viver o peso da responsabilidade de uma relação duradoura? Em seus relacionamentos procurava viver o agora, nunca imaginou o futuro com alguém, nunca imaginou o casamento e filhos para si. Mariana estava aflita será que seu amor próprio era maior do que viver uma relação a dois.
Ela decidiu fugir para não ter que enfrentar seu medo. Ela ficou ali em seu momento de perplexidade.

Sim, era amor. Daqueles que pouco vemos por aí.


Era noite de sábado.
Daqueles preguiçosos onde a vontade de ficar em casa a sós é maior do que uma roupa ou uma balada.
Estava ela junto ao seu par. Deitados sobre a cama, assistindo um filme qualquer na TV.
Relaxados e em silencio. Ouvia-se apenas o barulho do som que o televisor emitia.
Ele olha para sua namorada e a adora. Estava tão bonita em seu pijama e distraida com as propagandas que era o zumbi mais lindo que tinha visto.
Calmamente virou para seu lado, ficando de frente a ela.
Ela percebe olhando-o nos olhos sorrindo. Suas mãos tocam os braços de seu amado.
Ele a devora com os olhos, aproxima-se mais e dá-lhe suas bitocas sobre seu ombro, pescoço e face.
Ela corresponde se abrindo a ele. Seus lábios agora se tocam e um beijo carinhoso se inicia.
Ele se ajeita sobre o corpo da amada pois queria mais. Sentir o corpo e o calor dela naquele instante.
Ela se ludibriava com os beijos e o cheiro que seu homem emanava.
Ele toca sua amada com prazer, tirando-lhe a rouba, brincando com os bicos de seus seios, acariciando-os e passando suas mãos sobre o corpo de sua amada.
Ela se entrega, vai abrindo seu corpo para encontrá-lo. Afinal, fazer amor é uma brincadeira de esconde-esconde.
E carinhosamente eles se enlaçam. O amor é renovado com o prazer que os dois se proporcionam.
Ouve-se gemidos, beijos, carinhos… palavras são caladas com olhares.
Olhares que fazem chegar ao climax, sentirem o gosto de estarem unidos fisica e emocionalmente.
Ele se deita relaxado e feliz.
Ela se deita sobre seu peito para que as endorfinas façam o efeito e que o cheiro dele entre em seu cérebro como chocolates suiços.
Ele pega na mão de sua amada, que estava a brincar com os pelos de seu peitoral, entrelaça seus dedos entre os dele, leva-os a boca para um beijo.
Seus olhos se unem novamente, a sensação de plenitude e entrega é ainda maior.
Dela lágrimas brotam de seus olhos, um sorriso de alegria e principalmente de amor mutuo.
Ele afaga sua amada, sentindo sua emoção. Seus olhos caem sobre ela com um brilho diferente.
Ambos corações estão quentes e conectados por um só sentimento.
Sim, era amor. Daqueles que pouco vemos por aí.
Ele e ela faziam um NÓS perfeito-sendo-imperfeito.
Isso bastava.

FIM.

Por Camila Moreira.
(02/11/14)

Deixe-me louca e extasiada de prazer


Quero seu beijo louco me agarrando pelos cabelos e percorrendo o meu corpo.
Nossos corpos se encaixando e sentindo vibrar esta sede que temos de nós.
Sentir seu membro sinalizando que este desejo é intenso.
Tiro sua roupa e você a minha. Vamos ficando nus aos poucos, curtindo cada pedaço deles.
Minha boca ser perde na sua, suas mãos em meu corpo acariciando, tocando e apertando.
Levante meu corpo contra o seu, abra minhas pernas e se encaixe.
Quero sentir sua força e seu desejo intenso. Penetre-me com força, com instinto e desejo.
Arranque suspiros e gemidos enlouquecidos de mim. Faça-me a mulher mais satisfeita e tire-me mil gozos.
Com força, tesão e desejo… olhe nos meus olhos enquanto gemo, grito, falo besteiras.

Deixe-me louca e extasiada de prazer.
Camilla Murer
15-06-14

Você não combina mais com meu batom e nem com o meu vestido hoje…


Ela tinha uma paixão de adolescência. Seu amor era imenso mas nunca tivera a coragem de falar o que sentia.

Era amiga dele, tinham amizade mas nunca esboçou um interesse real sobre ela, achava até que era feia para ele.
Decidiu cuidar da vida, já que era “desastrada” com este negócio de amor e paixão.
Estudou, viajou e conheceu diversas culturas. Seu sonho era escrever livros.
Escreveu seu primeiro livro sobre a vida de dois amigos que se vestiam de mulher e iam a casa de pessoas doentes que precisavam de alegria, de um conforto no coração e depois iam embora com a certeza de dever cumprido e muitas histórias engraçadas a contar. 
Ganhou prêmios pelo seu livro, viajou para vários lugares para divulgar o seu trabalho e lançou outros mais livros e livros para o mundo.
Um dia retornou a sua cidade natal. Foi convidada para divulgar seu novo livro sobre amor e relacionamentos numa livraria local.
Neste evento, em poucas palavras, falou sobre o amor e todas as pessoas a aplaudiram de pé.
Foi no meio da multidão que ela reconheceu aquele rosto, todas a lembranças do passado vieram a tona, seu coração acelerou e bateu na boca. 
Era ele! Estava ali, presente, batendo palmas e olhando com um sorriso no rosto. Ela sorriu meio entorpecida como uma avalanche de sentimentos.
E lá estava ele, vindo em sua direção, obviamente para cumprimentá-la e dizer como ela havia mudado e ficado bonita. 
Neste mesmo instante, uma moça o abraçou e seguiram até ela. Seu coração parou naquele instante tão desconcertante. Ele apresentou a namorada e conversaram felicitando sucesso e aquilo foi suficiente para deixa-la com os sentimentos estranhos e confusos.
Saiu daquele local abalada, com um misto de alegria e decepção. Bateu-lhe uma solidão pois desde da época da faculdade nunca tivera “tempo” para namorar ou pensar sobre isso. Foram poucos romances, rápidos e não tão profundos. Era a melhor conselheira amorosa de suas amigas e imaginava que acertaria na escolha de seu parceiro.
Imediatamente suas fichas caíram, estava sozinha a anos! Nunca tinha amado alguém de verdade, somente ele em seu passado.
Passou alguns dias em sua cidade, relembrando sua infância e sua juventude. Já era uma mulher e precisava pensar na possibilidade de conviver com um companheiro e compartilhar sua vida.
Numa tarde estava tomando café quando sua antiga paixão chega. Senta-se ao lado dela, ficam numa conversa gostosa e animada. Ela percebeu que ele a encarava de forma diferente.
Antes que escurecesse decidiu ir embora quando descendo as escadarias do café, ele sai e a chama de volta. Dá um longo suspiro e diz que desde a adolescência jamais a esquecera, sempre a amou em segredo e jamais teve coragem de dizer. Disse que quando ela foi embora sofreu muito, sentia sua falta, das conversas e do contato. Os anos se passaram e jamais pode esquecer o sentimento que tinha mas decidiu passar por cima e viver.
Neste instante ele se aproximou dela, olhou-a nos olhos e lhe deu um beijo longo como se nunca tivesse beijado alguém. 
Obviamente ela correspondeu ao sentimento, ao desejo e ao beijo, mas algo havia mudado. E novamente as “fichas” foram caindo.
O beijo acabou com a sensação de querer de novo. Fitou-o por uns instantes com um sorriso disfarçado nos lábios. Coçou a cabeça, olhou para os lados e para o chão e disse:
– Agradeço por declarar isso. Amei-o na mesma intensidade e o mesmo ocorreu comigo, a timidez. 
– Então, acredita que podemos dar andamento a este sentimento? – perguntou ele, feliz em saber da reciprocidade.
– Hum… quer saber a real? Acho que você não combina mais com meu batom e nem com o meu vestido hoje. 
Virou as costas, sorriu e andou pelas ruas, sentindo-se leve, pois a sua vida e sua liberdade eram maiores que aquele amor. Ela tinha aprendido a se amar durante todos estes anos e aquele amor já era algo velho que sua consciência a unia ao passado inseguro e tímido. Ela era uma nova pessoa e o velho já não a atraía mais.
Por Camilla Murer
(07/06/14)