Uma história sem fim … PARTE II


No dia seguinte, George saiu logo cedo e Lisa levanta-se da cama, coloca seu vestido, um lenço sob a cabeça e seu óculos de sol e partindo com sua mala feita rapidamente em disparada a casa de Tom. Desesperada, amargurada e com nojo de si mesma, lembrando-se da noite de ontem. Nunca se sentiu tão imunda e invadida daquela forma. Chorou de raiva pelo caminho.
Chegando a casa de Tom, bateu em sua porta, que estava se arrumando para o trabalho. Havia acordado coincidentemente atrasado naquele dia. Abriu a porta e assustou-se ao deparar-se com Lisa. Ela entrou rapidamente e o abraçou. Perguntou o motivo de sua visita de forma preocupada e, Lisa desesperada disse que queria fugir naquele momento se possível pois não aguentava mais ficar dividindo a casa com aquele homem. Contou entre prantos o que George fizera com ela e como estava se sentindo. Tom reconfortou-a sob seus braços e seu ódio por George aumentava a cada dia. Ele não conseguia encarar mais o antigo amigo no trabalho, que por sua sorte, não ficavam mais na mesma sala. Tudo havia mudado entre eles e o motivo era Lisa. Este homem era um doente e se aproveitar de uma mulher indefesa e sem seu consentimento era imperdoável.
Tom tentou acalmar Lisa e pediu que ela esperasse até o dia de da fuga. Ela podia passar o dia ali em sua casa se quisesse para descansar e ir embora no final do dia para não levantar suspeitas. Ele precisava ir até o banco trabalhar mas não queria deixá-la só. Pediu que sua empregada Doroty, fizesse-lhe companhia. Assim, terminou de se arrumar, despediu com um beijo em Lisa e foi para seu trabalho extremamente preocupado e transtornado com aquela situação.
George era um homem mudado, doente, sem escrúpulos. Sentiu falta de seu velho amigo de antes que, apesar dos defeitos e vícios, tinha estima por ele. Não conseguia mais reconhecer aquele homem em relação ao que tinha se tornado. Tom trabalhou o dia todo refletindo sobre isso e ansioso para fugir com Lisa.
Naquela manhã. Lisa havia dormido nos aposentos de Tom depois de ter tomado um chá para acalmar feito por Doroty. Ela sentia seu cheiro na cama, nos travesseiros e pela casa e lhe trazia segurança, amor e tranquilidade. Teve belos sonhos com os dois juntos e felizes. Acordou antes do almoço ser servido e Doroty sempre ao seu lado, preocupada e prestativa. Lisa decidiu ir embora cedo para que não levantasse suspeitas. Saiu mais calma e um pouco apreensiva. Esquecera seu lenço e óculos na casa de Tom, andou rapidamente pela rua, para não ser notada.
Infelizmente, havia um comparsa de George que morava ali naquela região. Conhecia Lisa de vista e a viu saindo da casa de Tom e andando as pressas pela rua.

No escritório, George trabalhava tranquilamente e estonteante. Trabalhar com ações era sua meta. Tinha tudo ao seu alcance, uma bela sala com móveis elegantes, um telefone disponível e todos os dados de confidencialidade e que geravam altos lucros. Sentia-se sortudo pois tem uma boa vida, bom salário e informações disponíveis. Perdido em seu ego orgulhoso, o telefone toca. Era seu amigo e comparsa John.
– George, gostaria de lhe relatar algo estranho que vi agora a pouco.
– Conte-me, John. Adoro suas histórias. – respondeu com um riso sarcástico.
– Achei muito estranho, mas vi sua esposa, Lisa, andando pelas bandas da casa de Tom.
– Como? Próximo a casa de quem?
– Do Tom, seu amigo e companheiro de trabalho.
– Não pode ser, John. O que esta mulher anda aprontando? – Falou de forma apreensiva e absorto em seus pensamentos.
– Não sei, apenas achei muito estranho, meu amigo. Decidi apenas avisá-lo.
– John, quero que me faça um favor, em relação a este assunto. Siga minha mulher todos os dias e me traga as informações com quem, onde, como esta mulher tem feito. Vou-lhe compensar muito bem pelas notícias. Estou desconfiado de algumas atitudes estranhas dela e, agora você referindo sobre isso, gostaria que investigasse melhor para mim.
– Sem problemas, George. Será um prazer fazer negócios com você, novamente. Nos falamos em breve então.
Ao desligar o telefone, o semblante de George mudou, estava sério e frio, sua mente estava maquiavélica. Ele tinha ciúmes mortais de Lisa, não queria vê-la nos braços de ninguém, mesmo que sabendo que ela era infeliz em seu lado, bastava apenas que ela estivesse ali com ele. Pensou, se Lisa não  o quer, ela não seria de ninguém.

Alguns dias se passaram, Tom e Lisa continuavam a se encontrar no galpão abandonado. Matavam as saudades e estruturavam o plano de fuga. Tom havia combinado a data e horas exatas da saída do trem e onde se encontrariam para esperar. Seria logo pela manhã, assim que George saísse para trabalhar. Lisa o esperaria na estação e ele a encontraria lá. Levaria as malas e pertences deles num carro. Afinal, iriam começar uma nova vida num lugar diferente.
John, seguia cada passo de Lisa, sem que ela percebesse. Sabia que ela ia até ao galpão, mas não havia adentrado por falta de oportunidade. Precisava ser cauteloso. Percebeu, que havia dias em que o casal se encontrava e outros não.
Certo dia, decidiu ir antes do horário que costumavam se encontram. Entrou no galpão e se escondeu de modo que ninguém pudesse vê-lo e próximo suficiente deles para ouvir o que conversavam. O jovem casal estava lá no horário combinado, diante de juras e afagos de amor, combinaram o grande dia. Todos os detalhes pertinentes e, John, pode ouvir tudo.
Logo no final da tarde, telefonou a George, relatando com grandes detalhes tudo o que havia descoberto sobre Lisa e Tom. George ficara furioso e prometeu que as coisas não seriam assim tão fáceis.

Naquela noite, Lisa estava absorta em seus pensamentos, sonhando com o momento esperado de sua fuga. Estava ansiosa e apreensiva, mas dentro de si havia uma enorme certeza: estaria livre do sofrimento de ter de estar ao lado de George.
Ele havia chegado tarde em casa, estava cheirando a bebida, pois Lisa sentia de longe e tinha nojo dele. George a forçou a tirar seus sapatos e roupas, colocá-lo na cama e ainda lhe servir um caldo quente. Tratou-a como a pior das empregadas. Assim que o serviu, pediu que retornasse com uma toalha quente para por sobre sua testa, a fim de curar sua bebedeira. Ela trouxe com muita raiva, quieta, pois se retrucasse ele podia fazer qualquer coisa. Quando colocou a bacia com a toalha quente, ele puxou-a pelos braços, pegou-a pelos cabelos e a fez deitar-se sobre a cama. Ele olhou bem para ela, sentiu o cheiro que vinha de seu pescoço aberto, passando as mãos por ele, dizendo:
– Lisa, meu amor, andas muito quieta ultimamente. Você anda triste ou seus pensamentos estão em outro lugar? Ou melhor? Em outro homem?
Lisa de olhos espantados olhando para George, chegar a tremer de medo. O que este homem estava tramando contra ela? O que ele queria afinal com ela?
– Não, George. Nenhuma de suas indagações. Estou apenas valorizando meu papel nesta casa. – fala com voz trêmula. – Agora pode me soltar, você está machucando minha cabeça.
George, puxa seu cabelo com mais força para trás. Lisa solta um grunhido de dor e ele fala bem baixinho em seu ouvido:
– Lisa, nem pense em fazer nada contra mim. Estou feliz que você tem sido esta ÓTIMA esposa. Sabe por que? Você é só minha e será para o resto de sua vida miserável! – Neste instante ele a solta e empurra da cama. Lisa levanta-se horrorizada com tamanha maldade que aquele homem possuía. Ele não era de longe o George que ela conheceu. Saiu do quarto apressada e se trancou no banheiro, onde chorou até se acalmar de seu ódio, decepção e tristeza.

Lisa naquela manhã, apesar do susto de George, decidiu acordar cedo e preparar seu ultimo café, o de um “até-nunca-mais” para George. Como ele estava a par de tudo, tratou com naturalidade, mas seus planos contra este dia estavam em pé. Planejou junto com John, que Tom estava fugindo da cidade com um roubo de dinheiro do banco e, que junto estaria levando sua mulher. Ele colocou dinheiro dentro de um envelope na pasta de Tom, um dia antes. Ele ligaria para polícia logo pela manhã, delatando o caso de roubo e demonstraria todas as provas do caixa que fez contra ele. Pediria para fazer uma busca na casa a procura do dinheiro e a prisão dele na estação do trem.
Aquela manhã seria perfeita para Lisa e Tom, ela interiormente estava ansiosa e não podia demonstrar qualquer suspeita a George. Sentou-se a mesa com ele e tomaram um café da manhã silenciosamente longo. Como costume, George, quase não conversava de manhã, parecia sofrer de algum mau humor matinal. Lisa estava acostumada com o tempo de convivência com ele.
George saiu de casa, rumo ao trabalho, com todo o plano traçado em mente. Dizia a si mesmo que Lisa não iria escapar tão fácil de suas mãos.
Assim que George saiu, Lisa sai as pressas se arrumar. Era chegada a hora! Partiu rapidamente rumo a estação de trem.
Enquanto isso, Tom estava tão feliz com o dia de fuga, como decidiram chamar, havia chegado. Estava irradiante e ansioso. Decidiu locar um carro para levar todas as bagagens até o trem. De lá, encontraria com Lisa e partiriam rumo ao novo e desconhecido. Colocou todas as bagagens no carro, deixou a casa arrumada e aos cuidados de Doroty. Despediu-se dizendo que assim que estivessem em algum lugar são e salvos e com uma casa para ficar mandaria notícias.
Saiu dirigindo o carro em direção a estação de trem.

Neste meio tempo, George já havia contactado a polícia. A mesma estava acompanhada de John entrando a casa de Tom em busca do envelope de dinheiro que estava em sua maleta. Doroty estava lá e achou um absurdo pois conhecia a índole de seu patrão. Os policiais encontram o dinheiro e logo saem em busca de Tom.
George sai do banco rumo estação de trem, ele queria presenciar toda a desgraça de Tom e arrastar Lisa novamente para sua casa. Seu plano era acorrentar Lisa em casa para nunca mais sair de lá.

Na estação de trem, Lisa ficou no saguão principal esperando ansiosamente por Tom. Estava angustiada, com medo de ser pega por George e que o pior acontecesse. Ela se sentiria culpada se algo acontecesse a Tom, afinal, ele era solteiro e não tinha compromisso. As chances dele construir uma família com uma moça solteira e desimpedida eram grandes. Ficou pensando seriamente sobre isso, mas acreditava no amor que Tom sentia por ela e ela por ele. Naquela atual circunstancia um pedido de divórcio a George sairia em morte. De longe, ela avista Tom vindo em sua direção. Uma emoção e sensação de liberdade tomam conta de seu ser. Ela se levanta e sai em disparada ao seu amado. Os dois se unem num abraço apaixonado e reconfortante.
– Tom, estava angustiada a sua espera. Tenho tanto medo de sermos pegos.
– Acalme-se. Não se preocupe, querida, ninguém sabe que estamos fugindo, apenas Doroty. Nosso trem partirá daqui 15 minutos e nossas malas já estão prestes a serem embarcadas.
Se beijam com profundo alívio e paixão. Lisa parecia estar acordando de um pesadelo e Tom estava esperançoso em iniciar uma vida ao lado da mulher que sempre amara.
Ainda abraçada a Tom, Lisa continuava angustiada. Algo estava incomodando por dentro de si. Decidiu não compartilhar desta sensação com Tom e nem comentar dos fatos da noite passada, afinal, a dor e o desespero iam se acabar. Achava que era pelo fato da viagem e de serem pegos fugindo era o causador daqueles sentimentos.

Anunciava ao longe que os passageiros ao destino escolhido embarcassem e se acomodassem, pois o trem estava de partida. Ao ouvirem isso, Tom e Lisa deram as mãos e apertaram uma na outra.
Uma movimentação vinha em direção a eles. Sem perceberem, policiais gritaram voz de prisão ao longe. Ficaram observando tentando entender aquela movimentação toda. Logo viram-se cercados por policiais, pegando e puxando bruscamente Tom das mãos de Lisa até fazê-lo cair no chão e o segurando para algemá-lo. Lisa solta um grito para pararem com aquilo, que era algum engano. Imediatamente os policiais a seguram  pedindo que se afastasse.
Neste momento, surge ao meio da multidão que formava, George e John. George pega Lisa pelos braços e a puxa para perto de si tentando levar para longe da multidão. Lisa se debatia olhando para trás e gritando chamando por Tom e blasfemando contra George. Foi preciso John segurá-la também e assim ela foi levada arrastada contra sua vontade. George pedia para que ela se calasse e apertava cada vez mais seu braço. Ela não conseguia entender aquilo. Lisa queria morrer naquele instante. Sua dor era enorme, sua chance de ser feliz de novo tinha ido embora. Como seria possível aquilo? Ninguém sabia! A não ser que George estivesse desconfiado. Ela entrou em completo desespero e estado de desesperança total. Ela queria correr e não conseguia, queria defender seu amado e não podia, por que George já havia sentenciado sua vida a infelicidade.
Tom, vendo Lisa sendo arrastada embora debate-se no chão, grita por seu nome, pede para soltá-lo, desesperadamente. Foram precisos três policiais para segurá-lo, tamanho era a força que ele tentava se soltar. Ele queria socorrer Lisa, não conseguia compreender tudo aquilo. Tom não raciocinava o que levaram a prende-lo pois seu único crime era amar Lisa e querer livrá-la dos braços de George e fugirem dali. Lágrimas de ódio começaram a cair dos olhos de Tom, que gritava por ela. Como era possível aquilo! Era um pesadelo aquilo e dos piores! Estava tudo tão bem planejado. O ódio inundou seus olhos, sua garganta e seu peito. Viu Lisa ir embora até desaparecer. Sentiu os policiais lhe baterem à cabeça até perder a visão e sentidos.
Tudo ficou escuro aquele dia.

Publicado por

Camila Moreira

Mulher, ama o conhecimento, o saber e a natureza. Formada em química, massoterapia e seu novo encontro com o Sagrado através da aromaterapia. Uma apaixonada pelas terapias alternativas e complementares e bem como pelas "logias" da vida.

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