Uma história sem fim …. PARTE I


Em meados a década de 1930, os amigos Tom e George se conheceram no trabalho, sentiram um conexão rápida e espontânea assim que começaram a conversar. Tinham muitas coisas em comum mas de personalidades e hábitos totalmente diferentes.
Trabalhavam em um banco, com muitos papéis, números de dígitos monetários. Entre seus setores existia Lisa, uma bela moça, simpática e meiga, a quem lhes atraíam muito.
Tom era um rapaz muito correto, sua vida era dedicada a seus compromissos e fiel aos seus sentimentos. Era cordial, não tinha vícios e respeitava as regras, as pessoas e as mulheres. Nunca tinha se apaixonado, até colocar seus olhos na bela Lisa. Todos os dias no trabalho a cumprimentava com um sorriso largo e ela correspondia discretamente ao seu olhar. Sempre que podia passava por ali só para admirá-la e bater um papo rápido. Na hora do café, costumava trazer seu lanche a mais para dividir com George e ela. As vezes, deixava um dropes de anis sob sua mesa de modo a lhe fazer uma surpresa do dia. Lisa correspondia aos gestos de Tom, gostava dele, respeitava sua pessoa e o achava muito bonito.
George, ao contrário de Tom, era mais extrovertido e expansivo, falante demais, galanteador e sempre que podia estava acompanhado de belas moças. Gostava de frequentar os bares da cidade, beber e fumar, fora quando não encontrava uma encrenca ao qual pudesse entrar e explodir seu gênio mais arredio.
Com os anos de amizade, Tom conhecia muito bem a índole de George, apesar de não aprovar a vida que seu amigo levava nas horas em que não estavam juntos. Sempre preocupado com a saúde e o bem estar dele mas quando se metia em enrascadas, Tom ia socorrê-lo.
Um dia decidiram almoçar fora e conversar sobre o trabalho e a vida. Em meio a conversa, George fala sobre Lisa, com carinho e paixão. Tom, logo se toca que seu amigo também tinha interesse por ela.
– Tom, não tens ideia do que sinto por aquela mulher! Quando chego perto dela meu coração e corpo enche de brasas, aqueles seus olhos azuis e profundos parecem mares desnudos, inexplorados e quando ela vem com aquele batom vinho, sua boca lembra-me uma maça apetitosa, a qual não resistirei a tentação de beijá-la e morde-la. Ela é uma mulher incrível!! Você não acha? Ou nunca olhou para ela com estes olhos?
– George, George, meu bom amigo, vejo que estás perdidamente apaixonado pela moça. Realmente ela é uma mulher incrivelmente atraente, mas gosto muito mais do seu jeito meigo e jovial, seu sorriso, a inteligencia e a destreza que ela tem de lidar com as coisas. Confesso que também já pus meus olhos nela.
– Sério? Mas você nunca tentou convidá-la para sair? Nunca falou de seus sentimentos ou pelo menos a galanteou.
– George, sou do tipo que preciso notar que ela me corresponde aos meus atos. Sinto as vezes que sim quando estamos nos falando, mas acho que Lisa se mostra mais quando está perto de você. Acredito que ela goste mais de você do que de mim. – Olhou para o amigo e sorriu timidamente.
– Acha mesmo? Sabe que também tinha percebido isso? Aquela garota vai ser minha ainda, escute que vou lhe dizer.
– Cuidado para não ser muito afoito! As vezes, algumas de nossas impressões masculinas são errôneas  Porque não a chama para sair?
– Bem colocado! Na próxima, vou seguir seu conselho. – Os dois se olharam e soltaram uma gargalhada.
Tom não sabia exato quem Lisa se interessava mais, mas achava que ela ficava mais suscetível aos galanteios espontâneos de George quando estavam juntos. Ele era mais tímido e era do homem que tinha que sentir a correspondência de sua amada e percebia que Lisa tinha um comportamento diferente dele em relação a seu amigo.
Alguns meses se passaram e George estava namorando com Lisa, ela aceitou seu pedido de imediado, sem pestanejar. George estava radiante, pois ela era a mulher mais linda com quem já esteve fruto de seu ardente desejo de tê-la em seus braços.
Tom ficou muito feliz com as boas notícias do amigo, desejando os mais sinceros votos de felicidades ao jovem casal, afinal, os dois eram bem sucedidos e tinham tudo para dar certo. Interiormente, algo estava muito inquieto em Tom, ela amava Lisa por todo este tempo, mesmo seu amigo sabendo disso, mas sentia dentro de si que algo nesta relação estava errado. Decidiu não dar atenção, pensou que isso fosse ciúmes embutido a seu ego.
Foram quatro de anos de namoro do casal, estavam felizes, com data de casamento marcado, uma linda casa a sua espera e tudo que uma nova família esmerava. George, em respeito ao amigo, convidou-o para ser seu padrinho de casamento. Tom aceitou muito feliz, afinal, eram amigos e o apoiou em vários momentos e decisões de sua vida.
Lisa e George casaram-se numa bela cerimônia, com muitas pessoas ali reunidas familiares, parentes e amigos. A festa tinha sido esplendorosa, regada de champanhe, música e de boa comida. Todas as pessoas ali reunidas se divertiram muito pois a festa estava muito animada e o jovem casal estava muito feliz!
Um ano se passou e a amizade de Tom e de George tornou-se distante. Conversavam muito pouco, ainda existia o respeito, mas George não falava mais de sua vida e problemas, talvez querendo proteger Lisa e seu casamento. Obviamente pelo motivo de saber que Tom também sustentava um sentimento por ela.
Certo dia, Tom decidiu visitar o amigo em sua casa, levando um presente a ele e a esposa. Chegando lá, bateu ao portão, e seu amigo pediu-lhe que entrasse.
Ao entrar a casa, viu seu amigo de roupão e samba canção, barbudo, fumando. Ofereceu o sofá para sentar pois iria buscar uma bebida para ele. A casa estava revirada e havia algumas garrafas vazias sobre o criado. Ele achou a casa muito estranha e sentiu por falta de Lisa. Decidiu adentrar-se aos comodos e abrir a porta de um dos quartos, afinal, não conhecia pois era a primeira vez que estava ali.
Ao abri a porta, depara-se com cena mais triste e estarrecedora que já teve em sua vida: Lisa estava no chão, pálida, com o rosto roxo e com sangue. Parecia que estava morta. Tom sentiu seu corpo gelar e tremer e logo fechou os punhos. Um ódio tomou conta de si.
Foi abordado repentinamente por George, perguntando o que ele estava fazendo ali, espiando no quarto, partindo para cima de Tom com a garrafa na mão. Os dois caíram no chão entre socos e enforcões e Tom gritava acusando George de assassino. Brigaram pela sala quebrando tudo que estava pelo caminho.
Num sobressalto Tom se levanta e vê o amigo no chão com a cara ensanguentada. George olha para ele ferozmente e diz que ele não tinha o direito de fazer aquilo e que o queria longe de sua casa e principalmente de Lisa. Tom fica calado e sai muito aborrecido dali. Ele não acreditava que George batia em Lisa ao ponto de deixá-la inconsciente. A imagem da mulher linda em sua mente foi substituída pela imagem que acabara de presenciar. Agora compreendia o por que da mudança de George e da saída de Lisa do emprego.
Tom não se conformava com esta situação. Ele amava Lisa, sempre a amou e jamais teria a coragem de cometer tal atrocidade. Decidiu observar de longe os passos de seu amigo e de um dia encontrar Lisa pela rua.
Semanas se passaram, Tom estava a andar pela rua. Ao longe avistou uma mulher com um lenço sob a cabeça e óculos de sol. Andava cabisbaixa e com uma roupa muito singela e que escondia seu corpo. Ao passar por ela logo a reconheceu, era Lisa e, não hesitou em  chamá-la. Ela olhou para ver quem era, deu um leve sorriso e continuou andando. Tom não desistiu e pôs-se a andar atrás dela.
Ao chegar ao seu lado, Lisa pediu para que ele fosse embora, se ele fosse pego conversando com ela os dois estariam encrencados, mas Tom, insistentemente, continuou a falar pedindo que os dois pudessem ter um momento para conversarem. Ela parou, olhou para os dois lados da rua, num ato de desespero pede que a encontre num galpão abandonado que fica próximo aonde eles estavam em 15 minutos. Tom se despede e vai para um caminho oposto ao dela.
Foram os 15 minutos mais longos e esperados na vida de Tom. Logo chegou ao galpão e adentrou-se deixando a porta levemente aberta. Alguns minutos depois ele ouve a porta se abrindo e era Lisa. Veio ao seu encontro, tirou-lhe o óculos de sol e olhou tristemente para ele, jogou-se num abraço afagado e pôs-se a chorar.
– Tom, não sabes o quanto me arrependo de ter me casado com George. Ele me faz de sua empregada, fez-me abandonar o emprego pois me bate todos os dias, diz coisas horríveis mesmo eu sendo uma boa mulher. Deveria ter ouvido meu coração, devia ter escolhido você, Tom, como namorado e esposo. – Chorava assim, copiosamente, com muita dor e amargura. Ela abraçava Tom com tanta força que ele a correspondia com lágrimas nos olhos e um profundo ódio se alimentava de George.
– Não fique assim, estou aqui agora, Lisa. Estou em seus braços. Nunca te esqueci, nunca tive a coragem que talvez George teve contigo. Sempre te amei, ele sempre soube, mas acreditava também que vocês pudessem ter um futuro, mas uma parte minha dizia que estava errado, que esse relacionamento estava errado, era eu quem deveria estar em seus braços e não George.
Lisa olhou profundamente para Tom e a correspondência foi tão intensa que não conseguiram segurar um beijo de amor.  Beijaram-se como se nunca tivessem feito isso. Lágrimas escorriam de seus olhos, pois aquele beijo era um balsamo que seu coração precisava. Tom apertou Lisa sob seu corpo e correspondia intensamente a este desejo.
Ao finalizar aquele beijo, os dois permaneciam de olhos fechados, juntando suas testas uma sobre a outra ouvindo a respiração de cada um. Foi o momento mais feliz na vida de Tom, ganhar o carinho e o beijo da mulher que amava.
Então, rasgando o silencio entre os dois Tom sussurrou:
– Lisa, você me ama ou amou algum dia?
– Sim, Tom. Amei você, mas meu coração preferiu o comodismo do que a você. Perdoe-me mas nunca esqueci de você.
– Teria coragem de deixar George por mim?
– Tom, tenho sim, mas tenho muito medo dele. Quando ele bebe se transforma e me bate, Tenho medo que ele faça o pior comigo.
– Vamos fugir, Lisa. Para bem longe daqui. Não vamos deixar estar história de sofrimento prolongar. Desejo você ao meu lado e tenho minhas economias. Podemos viver em outro estado e sermos felizes. Vamos aproveitar esta chance! Vamos recomeçar e viver nossa vida!
– Tom, tenho medo! Prometo que vou pensar em tudo que me disse e vou amadurecer esta idéia. Ninguém, ouça bem, NINGUÉM, pode saber que nos encontramos aqui e que temos planos, entendeu? Tenho muito medo do pior. Enquanto isso, vamos nos reencontrar aqui a cada três dias, pois vou a mercearia e passo aqui para matarmos a saudade.
Tom soltou um imenso sorriso de alívio e repousou seus lábios sob os de Lisa. Beijaram-se por um bom momento. Despediram-se e esperou ela sair primeiro, apenas para ele ir depois.
Foram duas semanas de encontros as escondidas entre Tom e Lisa. Eles estavam cada vez mais rendidos a paixão que sentiam um pelo outro. Planejaram uma fuga para dali alguns dias, pegando o trem  Ela teria que trazer algumas roupas numa pequena mala no galpão que ele pegaria e levaria a estação. Haveria de ser um dia cedo pois o trem partiria de manhã.
George estava com algumas desconfianças de Lisa, ela andava com uma cara mais animada e muito quieta. Não respondia mais as suas provocações e se esquivava de seu caminho. Um dia, Lisa estava preparando a refeição quando havia chegado. Ele quis provocá-la para saber qual seria sua reação. Chegou por trás dela, agarrou pela cintura, encochando-a e colocou suas mãos em sua garganta, beijando-lhe o pescoço. Lisa soltou um grunhido de nojo, pedindo que a soltasse. Ela ainda segurava a faca na mão, e George ficou excitado com isso. Levantou-lhe a saia passando a mão em seu sexo e seios, beijando seu pescoço e ombros ardentemente. Lisa, tentou tirar sua mão, mas ele conseguia segurá-la, afinal, ele era mais forte que ela. Num movimento com as pernas acertou-lhe seu sexo e este homem gritou até cair no chão. Ela virou de frente apontando a faca para ele assustada. George se transformou lhe proferindo muitas coisas ruins. Ele conseguiu se levantar e tomou a faca de sua mão, deu-lhe um tapa na cara e Lisa caiu no chão tamanha força que lhe proferiu. Não contente o bastante, pegou Lisa pelos cabelos e arrastou-a até o quarto. Levantou-a do chão, rasgando sua roupa e jogando sob a cama. Seu corpo mostrou-se nu sob a roupa maltrapilha e George subiu sobre ela como um leão sob sua caça. Assim, ele forçou Lisa a ter relações com ele, sem o desejar. Ela sentiu-se suja, a pior das criaturas, ela gritava, mordia, se debatia contra aquele homem, mas ele a segurava e fazia com que seu membro estocasse com mais força, de forma a castigá-la por ter sido insolente.
Lisa desabou num chorou surdo, lembrando-se do passado ao qual se arrependera de ter feito a escolha errada.
Lembrou-se de Tom e de seu sorriso.

(continua na próxima etapa…)

Publicado por

Camila Moreira

Mulher, ama o conhecimento, o saber e a natureza. Formada em química, massoterapia e seu novo encontro com o Sagrado através da aromaterapia. Uma apaixonada pelas terapias alternativas e complementares e bem como pelas "logias" da vida.

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